Viver É Urgente

04 setembro 2016

Recentemente partilhei no Twitter uma trip down memory lane em que mostrei fotografias da minha adolescência. É um bocadinho estranho dizer isto assim mas, a verdade, é que algumas delas já têm quase dez anos e que eu - com vinte e três - já sou efectivamente uma adulta.

Mais assustador do que a minha adolescência ter sido há dez anos é o facto de eu não ter dado pelo tempo passar. Quando somos mais novos juramos a pé juntos que temos todo o tempo do Mundo, que os Verões vão sempre se sentir infinitos e não pensamos muito nisso mas, depois, damos por nós com vinte e três anos a recordar os tempos chatos de treze anos e a perguntar para onde é que o tempo foi.
Se eu juro que dos dezoito até agora o tempo passou e eu nem dei por ele, é igualmente verdade que dos treze aos vinte e três também nem o vi.

Ao ver aquelas fotografias lembrei-me de tudo. Do que sentia naquela altura, das pessoas que me rodeavam, dos momentos em que aquelas fotografias foram tiradas e...não me senti nem um bocadinho triste. Às vezes ficamos nostálgicos dos tempos passados mas, a verdade, é que já passou e eu não lhes sinto a falta nem os quero reviver. Já não sou aquela rapariga insegura de treze anos que estava de coração partido porque o rapaz pela qual tinha uma paixoneta gostava da rapariga mais bonita da turma e não dela, também já não sou aquela rapariga que usou eyeliner com dedicação e gastou três lápis pretos para olhos num ano à conta dessa brincadeira. Já não sou aquela que só usou branco, preto e vermelho durante dois anos - e um casaco durante o mesmo período de tempo, religiosamente, todos os dias até que um tipo da minha turma perguntou se não tinha mais nenhum - e que se recusava a sorrir para as fotografias porque tinha de mostrar que estava angsty por dentro. Nem aquela que só usava preto mas cujo telemóvel era cor-de-rosa choque (coerência). Para não falar também do facto de achar que era porreiro escrever lyrics de músicas dos Bullet For My Valentine por cima de fotografias da minha cara (com o dito eyeliner usado com dedicação e a roupa preta du jour). Em minha defesa...era dois mil e sete e, naquela altura, aquilo era considerado porreiro.

Há muita coisa que já não sou. Mas há muita que ainda vive em mim. Continuo a gostar de vestir preto da cabeça aos pés - mas desta vez sem o risco da minha mãe me deserdar se decidir comprar mais uma peça de roupa preta que seja -, troquei o eyeliner preto a derreter pela cara pelo cateye e pelo batom, deixei de não precisar de óculos para precisar de os usar todos os dias a partir dos quinze anos.

As pessoas mudam e não podemos ver isso de uma maneira negativa. As pessoas evoluem, os interesses alteram-se (e intensificam-se muitas vezes) e os anos da adolescência são os melhores para descobrirmos quem somos. Aprendi muito sobre mim entre os treze e os dezanove anos e é por isso que aquelas fotografias me fizeram rir imenso: pelas memórias e por tudo aquilo que lhes associei.

Viver é urgente. Documentar os momentos que nos fazem feliz é necessário. Dez anos passaram a correr, e eu nem dei por eles. Nem quero imaginar o resto da minha vida. Ainda me falta fazer tanto (e já tanto fiz também) e viver muito está no topo da minha lista.


7 comentários

  1. Ana, que publicação tão inspiradora! E sinto que a partilhaste no momento ideal. Obrigada por isso :)

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  2. Olha que bem :) caramba, também passei por essa fase emo. #quemnunca! Anos difíceis - mas olhando para trás, podia usar exactamente as mesmas palavras que tu. Não fico triste, já não sou insegura, nem queria reviver aquilo - mas muito do que sou hoje deve-se ao que passei nesses anos, so it's ok. Viver é urgente :)

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  3. Adorei o texto! Nem digo mais nada porque disseste tudo neste post, muito inspirador sem dúvida! kiss^^

    Giveaway Back to School | Patsilvarte

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  4. É verdade, às vezes damos por nós a pensar na idade que temos e que nem nos lembramos que temos porque tudo passa tão rápido. Aproveitemos! :)

    Lina Soares
    http://trintaporumalinhanoticias.blogspot.pt

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  5. Inspiraste-me, sem dúvida! Obrigada pela partilha e que vivas muuuuito, para que possas não só ser feliz, mas também partilhar connosco dessa felicidade!

    A Vida de Lyne

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  6. Adorei! Já tinha saudades de ler um texto teu assim! Verdadeiramente inspirador!
    Beijinho*

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