O Dia em que Aprendi a Andar de Bicicleta

Se alguém me dissesse que, aos vinte e três anos, ia aprender a andar de bicicleta eu ia-me rir muito. Porquê? Porque pensaria que nesta altura do campeonato já não haveria nada a fazer e que se não aprendi com dez anos não ia ser agora que ia acontecer. Enganei-me.

A verdade é que eu, Ana Garcês, aprendi a andar de bicicleta graças ao Mário, que tinha feito a promessa de me ensinar mal soube da minha condição de não me conseguir aguentar em veículos a pedal com duas rodas. E é essa a história que vos venho contar hoje.

26 de Julho.

Segundo dia de mini-férias em que acabámos por ir ao Oceanário. Foi uma coisa especial para mim porque a última - e única - vez que tinha lá ido tinha, no máximo, doze anos. Senti-me criança de novo e foi absolutamente refrescante.
Ao fim da tarde, quando saímos das nossas aventuras subaquáticas, decidimos que não queríamos ir já para casa e vai dai que oiço um "é isso mesmo, é hoje que te ensino a andar de bicicleta". Eu ri-me a pensar que não era a sério mas quando o vejo a pesquisar por sítios onde as poderíamos alugar e vejo-o a ligar para um deles percebi que era a sério.

Fomos a pé até Moscavide - não é uma distância assim tão grande tendo em conta que estávamos no Parque das Nações - e levei o caminho todo a me tentar acalmar. Não saber andar de bicicleta tinha-se tornado quase uma piada entre o meu grupo de amigos e acho que, para mim, devido ao facto de não ter aprendido mais cedo, se tornou quase como uma coisa para ter algum receio porque a verdade é que, à medida que vamos envelhecendo, vamos tendo medo de coisas que se calhar não teríamos quando éramos mais novos. Andar de bicicleta era uma delas: o medo de cair, de me magoar, de me esfolar toda.

Quando chegámos à Ring a Bike - o sítio que estava aberto àquela hora e só fechava relativamente mais tarde - fomos tão bem recebidos que ainda hoje (quase um mês depois) sinto a alegria daquele casal. Quando as pessoas fazem o que realmente gostam não há maneira de não sermos felizes. Depois de dizermos que eu não sabia andar de bicicleta, deram-nos duas para as mãos e fomos - outra vez - para perto do Parque das Nações. Ainda me tentaram persuadir a ir até lá de bicicleta mas eu disse que não (até porque ia correr mal de certeza).


E foi aqui: perto de uma zona residencial onde rapazes de oito anos passavam por nós com o rabo levantado do selim para me fazerem inveja que eu aprendi a andar de bicicleta.

O Mário foi um professor exigente, que quando não estava satisfeito fazia questão de dizer e fazer com que eu corrigisse, que dizia que se caísse não havia mal nenhum e que joelhos esfolados me iam dar um ar de durona, que me acalmou e só largou o selim quando eu disse que estava preparada. Amei-o um bocadinho mais nesse momento - não sei explicar porquê, mas sei que o meu coração duplicou de amor por ele.

Acabámos a pedalar - sempre que possível - lado a lado no calçadão do Parque das Nações, já muito depois do lusco-fusco em que o céu ainda está azul e nos dá a impressão que continua de dia mas já se vêm as estrelas. Quando fomos devolver as bicicletas só sorríamos de contentes, de promessa cumprida e de serenidade.

Não caí porque ele não deixou. Tive uma guerra com os pedais que resultou em duas semanas de nódoas negras na perna direita (tinhas razão, fizeram-me parecer uma durona). Mas aprendi a andar de bicicleta, junto ao rio e com parte do meu coração ao lado. Não podia ter sido melhor - obrigada!

12 comentários:

  1. Oh my. Estou aqui com um apertozinho no coração que me fez comichão nos olhos. Caramba, vocês são adoráveis! <3 E parabéns por aprenderes, durona! :D

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  2. Ohhh que história mais amorosa Aninhas <3 daquelas para contar aos netos!
    Tens de arranjar um bicicleta para as tuas andanças em Évora! Agora ninguém te pára mulheri :p

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  3. Nunca é tarde para se aprender! Adorei ler tudo isto, foi tão fofinho :)

    http://cidadadomundodesconhecido.blogspot.pt/

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  4. Parabéns Ana :D Andar de bicicleta é uma sensação de liberdade maravilhosa, parece que estamos a voar!!! É essa sensação que me faz ser tão apaixonada pelas bicicletas :)

    Ainda bem que tiveste um professor tão fantástico! Para quem não tem essa oportunidade, pode sempre recorrer à escola da Cenas a Pedal, onde a Ana Pereira, professora certificada, ensina todos os truques! E olha que há pessoas muito mais velhas que tu a darem os primeiros passos!!! Para quem já sabe andar e o único receio é mesmo o de pedalar no trânsito, convido desde já a participar na Massa Crítica um passeio todas as últimas sextas-feiras do mês pelas 18h que existe em várias cidades de Portugal <3

    Qualquer dúvida que tenhas, estou aqui para te ajudar! Já pedalo na cidade de Lisboa há 4 anos ;) Estás desde já convidada para a minha próxima voltinha em Lisboa!

    Beijinhos grandes da Ana Paula

    Eléctrico 28: Descobre o melhor que Lisboa tem para oferecer!

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  5. Que história fofinha esta de como aprendeste a andar de bicicleta, Ana! :)
    Eu também passei grande parte da minha vida sem saber andar de bicicleta, até que há 3 anos atrás decidi riscar isso da minha bucket list e comprei uma bicicleta e ensinaram-me a andar. Ainda tive uma queda grande dessas de várias nódoas negras e uma vez até fui contra uma parede (mas tão devagar que foi cómico), eu simplesmente ainda não conseguia virar... foi a parte mais difícil para mim! À medida que fui melhorando tornou-se algo que agora adoro fazer, e passeios desses pelo Parque das Nações sabem tão bem! :)

    Beijinhos,

    --
    Sofia | Monochromatic Wave

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  6. De facto, nunca é tarde para aprender a andar de bicicleta. Tomei a liberdade de partilhar o seu encorajador testemunho no blogue http://nabicicleta.com. Boas pedaladas :)

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  7. Boa! É sempre tempo de aprender coisas novas. :)

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  8. Parabéns!
    É maravilhoso andar de bicicleta.
    Paulo

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  9. Estas publicações enchem-me o coração. Que sejam sempre felizes! <3

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  10. Compreendo tão bem esse teu medo. Eu, aos 24, continuo sem saber andar de bicicleta. O meu avô bem tentou (e de vez em quando ainda lhe sai um "queres tentar?" mas percebe na minha cara que a coisa não vai passar daí) mas tinha sempre demasiado medo de cair para me aventurar muito (e isso do durona não funciona comigo porque lembro-me da dor e eu não sou masoquista).

    Mas parabéns a ti e ao Mário! Agora já têm mais uma forma de passar tempo juntos!

    Marta Rodrigues, Majestic

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  11. Derreti porque ao ler o teu testemunho imaginei a cena mais querida de qualquer filme de Comédia Romântica.
    Parabéns pela tua nova conquista e por teres um rapaz que claramente gosta muito de ti!!
    Beijinhos*

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