FAQ Sobre A Minha Vida

Nos últimos meses duas perguntas têm saído constantemente da boca de pessoas que me conhecem - e até das que não me conhecem - a título de curiosidade. A primeira é se não me aborreço de passar a vida em backstages e a segunda é como é namorar com alguém relativamente famoso.

Para a primeira a resposta é simples: não, não me aborreço. E porquê? Porque encaro cada backstage em que fico como uma aprendizagem.
Uma vez eles foram tocar a Mourão. É relativamente perto de Évora por isso a viagem até lá foi rápida e simples de se fazer. O Mário estava altamente doente depois de uma manhã passada nas Urgências devido a um quase choque anafilático graças a alergias medicamentosas.
Falo deste porque foi aquele que mais me marcou.

A ideia de eu ir a este concerto em específico passava por filmar algumas coisas para um vídeo deste género de forma a celebrar mais um aniversário do grupo. Não consegui fazer isso nem de perto, nem de longe. Fiquei de plantão com o Mário só para ter a certeza que ele estava bem. Mais tarde todos eles me disseram que devia fotografar o concerto do palco - foi a primeira vez. E ao contrário do que podem pensar a magia do espectáculo não morreu, para mim, ai.


A partir do momento em que consegues entender como as coisas correm de forma oleada como se fosse um relógio suíço e estás no meio da acção sentes todo um novo respeito por aquilo que toda aquela equipa faz: o trocar uma baqueta que se partiu sem ninguém reparar, o comunicar com gestos com outros técnicos, o apertar um pedaço do palco que ficou mal apertado e que se continuar pode dar problemas...

Aprendo sempre qualquer coisa quando estou nos backstages, nem que seja a me adaptar àquilo que me atiram (neste caso fotografar de toda uma perpectiva totalmente diferente). Como esta existem mais e garanto-vos que todos eles têm uma história e uma lição aprendida.


Quanto à segunda pergunta: é igual a namorar com qualquer outra pessoa (suponho) tirando a parte que, como trabalho, o meu namorado é músico e acaba por ser relativamente famoso.
Claro que há dias mais fáceis que outros, mas tudo se faz. Como devem supor caí um bocadinho de pára-quedas no meio de uma realidade que nunca tinha conhecido. Não é fácil lidar com os assédios e fazer de conta que não me incomodam. Não é fácil lidar com as fãs - que até ver têm sido absolutamente incríveis e simpáticas para mim - nem com o facto de ele nunca ter uma agenda realmente livre. Não podemos planear com antecedência uns dias para namorar porque mesmo que agenda diga que ele está livre noventa porcento das vezes ele vai acabar por ter trabalho marcado para esses dias.

Em Abril estivemos até à última para saber se ele podia ser o meu plus one no casamento da Cat porque mesmo tendo esse dia livre na agenda há meses acabaram por ter uma sessão fotográfica nesse dia. No meu aniversário aconteceu quase o mesmo. É nestas alturas que aprendemos os dois a aproveitar cada cinco minutos que temos só um para o outro: sem trabalho, sem obrigações publicitárias, sem nada a não ser aquela sensação de preguiça a um Domingo de manhã.


Mas há muito amor e muita vontade de fazer acontecer e fazer resultar. E acho que isso quer dizer muito. Há respeito, há partilha e há garantias que só eu - e mais ninguém - tem o lugar cativo no seu coração. É para o bom e para o mau (que o digam as vezes que corri até às Urgências devido aos sustos que ele já me deu e todos os medicamentos que tive de controlar a hora de toma). No fim do dia há sempre a garantia que o Mário é o meu Mário e não o Mário dos ÁTOA (que é o papel que ele assume quando está a trabalhar).
É também os dizeres a meio da noite de que apesar de ele gostar de andar na estrada eu sou a razão pela qual ele quer voltar sempre mais cedo.

Como é? É (muito) bom. É (muito) feliz. E o resto vamos vendo conforme podemos.

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