BEHIND THE MUSIC | Moullinex

Das muitas coisas boas que o blog me trouxe ter o prazer de conhecer novas coisas e pessoas foi a melhor delas. Desta vez tive a oportunidade de ouvir em primeira mão o novo álbum do Moullinex - o alter-ego de Luís Clara Gomes - e fiquei muito surpreendida.

Sou apologista do "em Portugal faz-se boa música" e, por isso, foi um privilégio ter estado à conversa com um Luís e apresentar-vos a sua música.

Escrevam o que eu vos digo: o Elsewhere vai ser a banda sonora do vosso Verão.

Vamos começar por uma pergunta fácil: quem é o Moullinex em 30 palavras ou menos?
Moullinex é uma janela para um mundo inventado, em que dançar é a prioridade. Podemos rir e chorar, mas fazêmo-lo dançando. 

É impossível fugir ao nome com que te apresentas! Porquê esta escolha tão peculiar?
A quem o dizes! Bom, a marca tinha um slogan ridículo nos anos 60: "Libère la femme", com a retórica de que os robots electrodomésticos libertavam as mulheres por lhes darem mais tempo na cozinha... Achei interessante explorar esse conceito literalmente. Uma batedeira assassina de maridos. Mas já lá vão quase 10 anos.

Li numa outra entrevista que deste que estavas a estudar Engenharia Informática na Universidade de Aveiro. O que te impulsionou a seguir por um caminho no Mundo da música?
Estudei algo semelhante, Engenharia de Computadores e Telemática, e acho que cheguei à música em paralelo, mas também através da tecnologia. Agrada-me o aspecto tecnológico de construir canções, também.

O teu estilo musical é muito próprio e algo que não se ouve muito por cá. O que te levou a escolhê-lo? E que artistas mais te inspiram?
Não foi bem uma escolha, acho que não poderia fazer outra música e sentir que seria minha na mesma. Inspiram-me muitas coisas diferentes. Alguns artistas contemporâneos, outros nem por isso.

Estás dividido entre Lisboa e Munique. A nível musical quais são as maiores diferenças que encontras nestas duas cidades?
As diferenças são muitas, mas sobretudo o emprego. Praticamente não existe desemprego na Baviera, e isso muda a postura das pessoas em relação à vida. Creio que as pessoas são bem mais felizes e realizadas. E isso sente-se nas mais pequenas coisas.


De que sentes mais falta em Lisboa quando estás em Munique? E em Munique quando estás em Lisboa?
Em Lisboa sinto falta da centralidade europeia. De ter 8 ou 9 países diferentes a 6 ou 7 horas de distância.
Em Munique sinto falta das pessoas. E da comida. E do sol.


Já tive a oportunidade de ouvir o Elsewhere e, para além de ter ficado com imensa vontade de dançar, também senti que era um álbum intimista que conta uma história. Que história é essa? O que está pode detrás deste álbum? Como chegaste a este resultado final?
Este álbum foi imaginado como uma viagem a um mundo idealizado. Tentei que o início tivesse um fascínio quase infantil com a realidade, e fosse "crescendo" como nós crescemos. Tem algumas peripécias pelo caminho. E termina numa melancolia adulta. Acho que acompanha o meu crescimento não só enquanto músico, mas como pessoa, até hoje.

Sei que é meio ingrato perguntar isto: mas existe alguma faixa que seja a tua favorita?
É injusto para com as outras se nomear uma favorita... Mas terá que ser a Sing My Heart Asleep. Por ser uma catarse.

Como é gerir uma editora – a Discotexas – e seres músico ao mesmo tempo? Perde-se alguma coisa pelo caminho?
Perdem-se férias! A Discotexas é um projecto de amor, mais do que um trabalho, e no dia em que o deixar de o ser, deixa de existir. É um prazer poder editar a minha própria música e a de artistas que admiro e dos quais sou muito amigo, como é o caso do Xinobi, de Justin Faust, Mirror People, Zimmer, Rebeka, Kamp, etc...

Conta-nos a primeira situação inusitada que te vier à cabeça que te aconteceu num concerto.
Qualquer concerto em que nos tragam ananases. Já é tão comum que deixou de ser inusitado, mas faz-me sempre muito feliz. 

Quais são os dez mandamentos do Luís?
1. Trabalhar muito no que amo
2. Repetir
3. Repetir
4. Repetir
5. Repetir
6. Repetir
7. Repetir
8. Repetir
9. Repetir
10. Repetir



Livro favorito de sempre? 
Os Capitães D'Areia, Jorge Amado

Filme da tua vida? 
Star Wars
Que música podia descrever o teu dia de hoje? 

Se pudesses escolher um álbum para ser a banda sonora da tua vida qual seria? 

Qual foi o sítio onde já comeste melhor?
Em qualquer tasco no México!

Onde é que viste o melhor pôr-do-sol? 
Lisboa tem, por vezes, dos pores-do-sol mais bonitos do mundo.

Jogo de tabuleiro favorito? 
Settlers of Catan

Se tivesses a oportunidade quem convidarias para jantar?
Stevie Wonder, claro.

Se a tua vida fosse uma canção que título teria? 
Já é, "Elsewhere"

Se tivesses um superpoder qual seria? 
Viajar no tempo. Ia direitinho aos anos 60 para ver os Beatles a trabalhar em estúdio.

Qual é a tua app favorita? 
"Elsewhere", a app que acompanha o meu álbum!


E se o álbum fosse um livro?
Fernando Pessoa, Poesia Inglesa I e II. Porque liricamente me influenciou muito, foi minha companheira na escrita das letras do álbum, e porque a forma como Pessoa muitas vezes aborda a escrita é também onírica. Gosto muito da sua poesia em inglês e fico muito feliz por estar a ser redescoberto também internacionalmente.

5 comentários:

  1. Ohh, que sorte! Gosto imenso das músicas do Moullinex, dão mesmo muita vontade de dançar! Obrigada por me dares a conhecer mais um pouquinho sobre ele. (:

    lenase«petals.blogspot.pt

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  2. Que sorte! Gosto muito da música desse senhor, estou mortinha por ouvir! :) Obrigada por partilhares mais sobre ele.

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  3. Confesso que desconhecia o cantor, mas fiquei agradavelmente surpreendido. O álbum é francamente bom, adoro a throwback vibe :)

    Ricardo, The Ghostly Walker.

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  4. Adorei o nome do álbum. Concordo que cá se faz muito boa música. As pessoas é que andam um bocado surdas.

    Isa,
    http://isamirtilo.blogspot.pt/

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