PERSONAL | The Anatomy of a "Real Woman"

Durante muitos anos da minha vida quis ter umas mamas maiores.

Não há mesmo maneira de meter paninhos quentes nisto nem de começar o texto sem rodeios: durante anos quis mesmo ter umas mamas maiores. E é por isso que esta coisa do body shaming me encanita à séria.


Isto já se vem a verificar há anos mas acho que a coisa se tornou mais grave e polémica depois de toda aquela situação com a Jessica Athayde num desfile de fatos-de-banho. A partir dai foi tipo uma bola de neve a descer nas encostas geladas dos Alpes Suíços. Começaram-se a ouvir os gritos de apoio à rapariga, os de revolta, os que diziam que as mulheres verdadeiras têm curvas, e isto e aquilo.
Então e nós, mulheres que não temos umas mamas grandes? Mulheres que não têm ancas largas? Mulheres que não têm um rabo empinado capaz de fazer inveja a muita gente? Vão-me dizer que essas não são mulheres verdadeiras? É que se não são então levei a minha vida toda a ser enganada.

Há uns tempos li uma coisa que, pessoalmente, me feriu. Era sobre a Sara Sampaio e sobre uma sessão mais ousada que ela tinha feito com o fotógrafo da Victoria's Secret. Dizia qualquer coisa como: "Russel James pegou nesta Angel e fez um trabalho que podendo ser considerado bonito tem pouco de sensual. O facto de a Sara Sampaio ser linda mas ter o corpo de um rapazinho adolescente não ajuda". Magoou-me porque eu própria já ouvi comentários desse género dirigidos a mim. Durante anos e, para piorar, numa altura crítica do meu desenvolvimento como mulher, que fez com que eu pensasse que não era suficiente e que era menos que as outras porque não tinha mamas grandes como era de se esperar numa mulher a sério. Acho que na altura ninguém acredita que tecer algum tipo de comentário a uma parte do corpo de uma determinada pessoa vá fazer com que ela tenha problemas no futuro. Nem a própria pessoa que ouviu o dito comentário pensa nisso. Mas se continuarem a bater na mesma tecla e a usar frases feitas a pessoa vai começar a ficar com macaquinhos no sótão. Vai começar a ver esse defeito - que não o é - e a partir dai vê mais quinze ou vinte. Todos os dias um novo até que a certa altura deixa de gostar de si. E gostarmos de nós é tão bom e tão importante.

Levei muito tempo sem gostar de mim, em parte porque na maioria da minha vida estive rodeada de pessoas idiotas para as quais nunca era o suficiente e cujos comentários depreciativos eram constantes. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E furou e fez mossa durante anos. Até que um dia fiz paz comigo mesma. Cheguei à conclusão que não sou - nem nunca serei - uma top model. Que não sou a rapariga mais bonita da aldeia mas que isso não me importa minimamente. O corpo que tenho é uma mistura da minha piscina genética com o tipo de vida que levei até agora e com os desportos e actividades que pratiquei. E há lá coisa mais bonita?

Há coisas que não devem ser ditas. Quem é que somos para dizer que uma mulher a sério tem de ter mamas grandes? Ou uma cinturinha de vespa? Ou pernas de três metros? Quem somos nós para dizer que as gordas são mais que as magras? Ou vice-versa. Que as sobrancelhas de uma pessoa deviam ser depiladas. Que o nariz é torto. Que os lábios são finos. Que os olhos são separados. Nenhum tipo de corpo é melhor que o outro. Uma pessoa não é o que pesa, nem o que veste. E muito menos é o formato e tamanho do seu corpo. Uma pessoa é os seus ideais, a sua personalidade. E tanto assim é que há pessoas boas, más e assim-assim. Gordas e magras. Altas e baixas. Com ou sem mamas.

Neste momento já não quero ter mamas maiores. Também já não quero ter pernas de três metros. Nem olhos azuis. Nem um joelho que não me dê problemas. E não sou menos mulher que as outras só por causa que as minhas mamas não me chegam ao umbigo ou que a minha silhueta não seja uma ampulheta.

"Real women are fat. And thin. And both, and neither, and otherwise".
- Hanne Blank





 
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26 comentários:

  1. Não estou contente com essa parte do meu corpo. Não estou, não acho que tenha que gostar de tuuuuudo em mim e também não acho que seja um drama dizê-lo. Tenho outras coisas que me valorizam mas esse aspecto retira-me confiança exactamente pelos motivos que mencionaste.

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  2. Tu és linda miúda! Também eu quero ter mamas maiores. Mas eu continuo a querer. Não pelo que os outros dizem, mas sim por mim!
    Não sou menos que ninguém!! Nem tu!!

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  3. Eu estou em plena fase de crescimento, e neste momento gosto de mim, independentemente que a rapariga que se senta ao meu lado tenha um rabo fantástico ou que uma amiga minha tenha mamas maiores que as minhas. Mas gosto de mim. Odeio esses estereótipos de mulher perfeita tipo Barbie, detesto. Sei que nunca vou ser igual a ninguém, e gosto disso. Devo dizer-te, Ana, que te acho um doce de pessoa e que és uma giraça!

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  4. também já quis ter mamas maiores, agora quando um amigo meu diz que se enrolava comigo se eu tivesse as mamas que nem balões e o rabo empinadissimo tudo o que me dá é vontade de rir. Sim, ainda acordo e penso "fogo, alta pa caramba e sem mamas...que cena do mal, normal que não arranje namorado" mas depois olho-me ao espelho e penso "que tola, oh pra mim tão cute".
    mas muitas de nós ainda não fizeram essa paz consigo mesmas (mesmo que seja uma paz pela qual luto repetidamente), e é triste, mas espero que o teu texto ressoe na cabeça de mais pessoas ♥

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  5. Há algumas no meu corpo que gostava que fossem diferentes mas das duas uma: ou trabalho para melhorar porque o que quero mudar vai ao sítio com exercício físico ou fico quieta e não vejo resultados :)*

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  6. Juro que cada vez que leio/oiço que as mulheres reais têm curvas morro um bocadinho. E eu tenho ancas largas, o meu rabo é grande, tenho a cintura fina por isso faço parte do grupo das mulheres com curvas. Mas porque raio têm de deitar abaixo as pessoas magras? Eu só posso pensar que é por não se sentirem bem com elas próprias. Eu sinto-me bem (claro que há sempre coisas que mudava) e acho as mulheres magras lindas, não me acho superior a elas nem as acho superiores a mim. Somos diferentes.
    És linda :)

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  7. De facto as palavras fazem com que os nossos olhos vejam de forma diferente. Quando estamos em baixo é activada uma lente que capta cada (im)perfeição, e quando nos sentimos bem connosco só vemos é felicidade e coisas bonitas. ;)
    gostei muito do teu texto, realmente por vezes esquecemos as magrinhas,:p
    Essa foto está tão bonita, <3

    beijinhos,
    Another Lovely Blog! - http://letrad.blogspot.pt/

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  8. Eu também gostava de ter mamas maiores, mas já não sofro muito com isso. Elas hão de crescer e, se tal não acontecer, também não faz mal. Aprendi a gostar de muito de mim ao longo de todos estes anos - até dos meus defeitos! E tu és linda, miúda. E uma mulher verdadeira e com M grande!
    Beijinho*

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  9. As minhas mamas também são pequenas e tenho barriga e só engordo na barriga, mas como eu digo: Haja saúde!! ;) E somos lindas como somos e se nem nós achamos isso como podem os outros achar...
    Kiss


    http://inspirationswithm.blogspot.pt/

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  10. O maior problema é mesmo ouvirmos ou lermos o que a plateia tem a dizer no que toca ao corpo de alguém, algo que pouco pode mudar por muita que seja a vontade ou o dinheiro. Sozinhas, temos de aprender a valorizar o nosso melhor e tirar o foco do que menos gostamos para nos sentirmos plenas no nosso corpo e não há sensação melhor que essa, para nós e para quem nos vê. Também sofro do síndrome de mamas pequenas e não sei como poderia viver melhor com isso.
    Adorei! x

    Blog | Talking Pickles

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  11. Acho que este é um dos textos mais inspiradores que vi por aqui, a sério. E é de pessoas que crescem com as adversidades e se aceitam com os "defeitos" que têm, que o mundo devia ser feito! Ninguém é perfeito, mas acharmos a perfeição no meio das nossas imperfeições é a melhor maneira de enfrentar a vida :) Nós não somos as mamas pequenas, ou o rabo volumoso, ou as pernas finas. Nós somos aquilo que pensamos e o modo como agimos. E não é um estúpido estereótipo de beleza que vai mudar isso!

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  12. olha que bem dito. nunca vamos satisfazer toda a gente, só temos que nos satisfazer a nós! vai sempre haver alguém que vai apreciar-nos como somos.
    btw, os homens não sabem o que dizem! a sara sampaio? que deusa!

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  13. Concordo plenamente com o que escreveste. Essa coisa das "mulheres reais" são mulheres com curvas faz-me imensa confusão. Para mim todas são mulheres a sério com o seus diferente corpos.

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  14. Revejo-me imenso neste post. Também sempre quis (e quero) ter as mamas maiores... Mas não me tira a confiança como já me tirou. Como o meu namorado me diz "Porque mamas são mamas e os homens gostam de mamas sejam elas de que tamanho foram... tem é de ser mamas" Acho que é algo que apenas nós mulheres vemos e sentimos. A minha melhor amiga veste um 40... tira a auto estima a qualquer pessoa. Mas realmente é isso não nos podemos comparar. Todos temos qualidade e defeitos e não há pessoas perfeitas. Desde que eu me sinta bem é isso que importa. Não posso crescer mais centímetros e não controlo as vontades das minhas mamas portanto mais vale olhar para o lado e ver o que gosto e mim e ficar feliz por isso e valorizar-me.

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  15. Um texto realmente bem escrito, na primeira pessoa e com o seu testemunho, pronta a levantar a auto-estima de todas as mulheres. Adorei, muito bom Ana! :)

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  16. *clap, clap* Adorei tanto :).

    Também sempre tive complexos com o meu peito e gostaria de o aumentar mas, como tu, fui aprendendo a aceitar-me como sou :). Afinal de contas, isto de ser uma tábua até traz benefícios: posso fazer exercício à vontade e às vezes quase que consigo deitar-me de barriga para baixo :D.

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  17. Por aqui é peito pequeno, ancas largas, rabo grande e pernas grossas! Parte de cima S ou M, parte de baixo L, sempre! E o nosso corpo é o nosso templo mesmo, para além de o tratarmos bem, temos de o amar também :) You go, girl! ♥

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  18. Se eu soubesse escrever como tu, sinto que este texto podia ser meu :) identifico-me tanto! "Sais ao teu pai!"..e o que isso me afectou quando era miúda. Sem mamas, com barriga e com excesso de pelo na cara lool felizmente, cresci, adaptei-me, mudei um bocadinho fisicamente e muuuuito psicologicamente, e percebi que sou bonita como sou - digo eu, e é o que importa! Tive a sorte de ter um namorado que me ajudou muuuuuuuito a ganhar confiança, e que cá ficou independentemente dele. O que mais magoa são as bocas dos "amigos" e familiares. Aquelas que dantes me faziam chorar e agora fazem-me sacar do meu melhor espírito de tripeira e responder "olha, e essa cara?" ou "vai pró ca*****!" :p

    Infelizmente, enquanto as pessoas não perceberem que as bocas fazem muito mais danos do que aquilo que parece, está nas nossas mãos ser fortes e tentar ajudar as miúdas e adolescentes que levam com a estupidez dos outros!

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  19. Ana, só tenho uma coisa a dizer: Parabéns pelo texto.
    parabéns ! 👌

    http://cweetietrends.blogspot.pt

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  20. Por acaso tou mesmo fixe com o que tenho, mamas, cabelo, nariz, whatever, mas tive que mandar (e tenho) à merda muita gente pra não me chagarem continuamente. No entanto, tou cansada deste tipo de assuntos, não que não mereçam ser falados, mas quando uma pessoa passa a vida a levar nas orelhas fica saturada de estar sempre a bater no ceguinho. Já tenho as minhas opiniões formadas e quando falo com alguém que é só estúpido em relação a isto nem me quero cansar em falar com essa pessoa.
    Dito isto, ter estudado história da arte (aka montes de mulheres nuas) fez-me ter muito mais noção da necessidade que todas as sociedades têm em ter um padrão de beleza. Nós somos bichos que precisamos de constante orientação, regras e padrões, mesmo que subtis, e isso afecta mais o nosso corpo e mente do que assuntos de justiça ou economia.
    Acabo o discurso com: texto bem escrito e gosto cada vez mais do teu blog mulher ^^

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  21. Adorei o texto.
    Eu sempre tive muitos complexos na adolescência, por ser muito alta e ter um corpo muito atlético por praticar desporto. Acabei por deixar o desporto e emagreci muito. Quando saí da adolescência, comecei a gostar de mim exatamente como sou, sem mamas, rabo grande, muito alta. Não interessa. Acho que o amor próprio neste sentido deve ser o que mais conta, gostarmos de nós e mimarmo-nos, em todos os sentidos. Alguém gostar ou desgostar é secundário.
    Quem me dera ter lido isto mais cedo, mas ainda bem que postaste porque muitas meninas como eu no passado irão ler, e talvez, se sintam um bocadinho mais confortáveis consigo próprias <3

    oh-my-lover.blogspot.pt

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  22. Gostei muito deste post, no sentido em que todas nós temos imperfeições, assimetrias, whatever e nem sempre lidamos bem com isso. Mas a perfeição é aborrecida por isso já desisti de me martirizar por não ter olhos claros, por não ter a pela da Dita Von Teese, por não ter umas pernas ultra tonificadas nem um palminho de cara como gostaria. A comparação é a raiz de todos os males, em nada é saudável. Claro que há dias mais fáceis que outros ahah

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  23. Toda a gente tem algo que queira, ou pelo menos quis em algum momento da sua vida, mudar, e ninguém deixa de ser bonito por isso. Também eu quero umas mamas maiores, acho que me iam trazer muito menos embaraços e vergonhas e ia poder desfrutar melhor, ainda assim se ainda não vieram, já não vêm (pelo menos naturais) e olha, que se lixe.. Sou feliz, sou saudável e isso é que importa.

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  24. Desculpa mas eu quereria um joelho que não me desse problemas. Uma coisa é "beleza" outra é ter que aguentar as dores, isso é que é tramado pah. xD
    Mas sim, não há nada melhor do que nos aceitarmos como somos. Isso não tem preço e é simplesmente... amravilhoso! <3
    Sorrisos,
    Alexandra :)

    The Sweetest Life

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  25. Não conhecia o teu blog, vi-o através de outro e digo-te fiquei KO com este post. Tens razão em tudo o que dizes. Nunca tive mamas (e não tenho com 24 anos), não tenho ancas largas, nem rabo grande. O que tenho a mais pode ser gordurinha na barriga mas isso é relativo porque faz-se exercicio e dietas. Mas a questão é que os outros poem sempre macaquinhos na nossa cabeça, e nem são os homens, todos os rapazes com qem fui amiga ou mais que amiga gostavam do que eu era e nunca tive tabus com eles, mas eram mesmo as mulheres que se punham com coisas, eu lembro-me de uma vez uma amiga minha se ter virado para mim "nao tens rabo, nem mamas, afinal um gajo para andar ctg anda pelo quê?" porra e foi uma amiga, imagina o quanto é que não me ficaram aqelas palavras na cabeça! Numa fase da adolescência onde tudo batia a 100%. Quantas as vezes pensei, quando for mais velha ponho implantes e faço coisas para ser topmodel! Agora? quero la saber disso. tenho este corpo há 24 anos, graças a Deus que nao tenho nenhuma doença e sou saudável, se me pusessem um par de mamas não me sentia eu propria e tinha de as tirar. Habituei-me ao que eu sou hoje, e passei a gostar, e acho que é isso que faz toda a diferença. Se me disserem algo agora eu nem quero saber. Não é por isso que vou deixar de viver :)
    Vou seguir-te
    Beijinho
    http://adonadasushi.blogspot.pt

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  26. Que texto bonito Ana. Não esperava outra coisa de ti.
    Porque são algumas frases, menos felizes, que nos podem deitar a baixo. Felizmente, o tempo e a maturidade faz-nos ver as coisas de outra forma, de certo, a mais correcta.

    PS. Não queiras ter as mamas grandes. ahahahah :D

    beijinho
    http://oblogdadondoca.blogspot.pt/

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