MOVIES | The Grand Budapest Hotel

12 fevereiro 2015

O Ralph Fiennes segura a civilização com pouco mais que o seu bigode e as suas maneiras impecáveis na casa de bonecas singular que é esta comédia trágica de Wes Anderson.

Paixão, luta, dignidade e mistério. Estes adjectivos podem ser usados para descrever o herói da história - M. Gustave - o concierge vaidoso que está encarregue de gerir a recepção (e todas as outras salas) do The Grand Budapest Hotel. A personagem é interpretada por Ralph Fiennes com tamanho cosmopolismo florido que nós quase que conseguimos ver a nuvem de perfume que anda à devida atrás dele enquanto ele se apressa para chegar ao seu próximo compromisso no quarto de uma viúva rica.

Na nossa breve estadia no The Grand Budapest Hotel, o realizador Wes Anderson brinda-nos com uma história deliciosa que é diferente de tudo o que já experimentamos antes.
A passar-se na ficcional Eastern European Republic of Zubrowka, Anderson cozinha um goulash húngaro inimitável e mistura a opulência europeia do século XIX com a perversidade dos vilões de desenhos animados, cenas doidas em prisões, doces em abundância, romance, intriga e nostalgia. Tudo isto infundido com humor e estilo.

Os filmes mais recentes de Wes Anderson conseguem ser atados de forma primorosa com todos os ingredientes a se misturarem de forma harmoniosa mas nada se compara a The Grand Budapest Hotel, uma mistura cheia de camadas perfeitamente embrulhadas num laço de pasteleiro impecável.


Eu adoraria recitar a minha própria ode ao The Grande Budapest Hotel porque é a história mais politicamente consciente que Anderson alguma vez contou. A sua história - uma cambalhota tonta que envolve um quadro roubado, vários cadáveres, uma fuga da prisão e bolos - toca nos horrores mais profundos do século XX e termina por reconhecer os seus danos irreparáveis.

As minhas desculpas ao Willy Wonka e aos seus visitantes que comem até o papel de parede, mas esta estância alpina é o edifício com aparência mais comestível do cinema: um castelo cheio de andares, pintado de cor-de-rosa e projectado para suportar a memória do tempo.

Como todas as grandes comédias absurdas, The Grand Budapest Hotel é afinal uma tragédia onde os risos sinalizam a desgraça tanto quanto a alegria.

The Grand Budapest Hotel é um filme fundamentalmente nostálgico sobre uma bolha que rebentou há muito e que nunca chegou a ser reparada. Há uma certa beleza, mas a afectuosidade e o humor estão tingidos por uma tristeza inevitável.
Mais uma vez, Wes Anderson conseguiu realizar um filme afectuoso e engraçado; pode ser mais melancólico que a maioria dos seus trabalhos, mas amor agridoce é amor na mesma e o The Grand Budapest Hotel vale a pena visitar várias vezes.
O momento pode-se perder, mas o filme permanecerá sempre.

Classificação infinito mais um: 8/10
Classificação IMDB: 8,1/10

                       

5 comentários

  1. e foi a melancolia o que mais adorei neste filme! belo filme e bela review :) Wes Anderson é um génio do visualmente/emocionalmente enfeitiçado por grandes peculiaridades... e uma inspiração ao ponto de eu andar a decorar o meu novo espaço para que se pareça com um dos filmes dele eheh.

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  2. Eu gostei bastante deste filme, mas é mais um caso, em que me lembro de poucos pormenores. No entanto, penso que é impossível esquecer a genialidade de Wes Anderson (e da sua equipa também) no que diz respeito à escolha dos cenários, banda sonora e guarda-roupa.

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  3. Ri-me só com a primeira frase ahaha bigode power!

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  4. Ainda não vi o filme. E tenho pena. Mas não posso deixar passar. Deixa-me curiosa :)

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  5. quem me dera ter o toque de midas em fotografia que ele tem nos filmes! As cores, oh meu deus, que genialidade!

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