AD INFINITUM | 4

“Este ano aprendo a andar de bicicleta”
“Este ano faço com que o meu arroz não pareça cimento-cola e seja, no mínimo, comestível”
Pensei estas duas coisas para mim enquanto mordia os dois últimos M&M’s azuis escolhidos a dedo às doze baladas do dia trinta e um de Dezembro para o dia um de Janeiro.

Não sou pessoa de fazer resoluções. 
Como os meus M&M’s azuis – que deviam ser passas – sem preocupações de maior, mais pela gordice do que pela tradição, mas todos os anos quero aprender a andar de bicicleta e todos os anos quero aprender a fazer um arroz minimamente comestível. Até agora ainda não aconteceu.

A coisa gira das resoluções de Ano Novo é que têm a importância que lhes queremos dar. É que têm o significado que lhes queremos pôr. Se eu disser que quero aprender a andar de bicicleta pode não significar para mim o mesmo que significa para vocês – se bem que, neste caso, quer mesmo dizer que quero aprender a andar de bicicleta – e é ai que está a beleza do ano se renovar. O começar de novo (mesmo que seja a meio de alguma coisa), o traçar objectivos (mesmo que sejam os mesmos dos anos anteriores).

Não entro em paranoia se o ano passar e eu ainda não souber fazer arroz. Nada me garante que não aprenderei outras vinte receitas novas nesse ano que irá passar que sejam absolutamente deliciosas e que nenhuma tenha como requerimento os baguinhos brancos que tantas dores de cabeça me dão. Também não entro em stress se não aprender a andar de bicicleta. Posso ver sítios bonitos na mesma, só tenho é de olhar com atenção. Pode ser que nesse ano tenha aprendido a conduzir. Pode ser que queira ser uma daquelas pessoas cool dos filmes que andam de patins em linha para todo o lado.

Recuso-me a limitar os mais de trezentos dias do ano a uma lista de doze objectivos que pensei enquanto misturava champanhe cor-de-rosa com M&M’s azuis quando o ano é cheio de possibilidades, de desejos que não sonhamos, de objectivos que não equacionamos. Seria um crime limitar-me a querer aprender andar de bicicleta quando há tanto à minha espera. Que pode vir amanhã, na semana ou no mês seguinte ou para o ano. Ou no outro a seguir. Ou quando tiver de ser.


Se calhar devia trocar os M&M’s pelas passas, que podem ser um método mais infalível mas, no fim do dia, não gosto de uvas secas. E prefiro chocolate. E manter a minha esperança que um dia aprendo a andar de bicicleta. E a fazer arroz. Depois disso logo me concentro noutras coisas – ser um pouco como a Carolina. Não planear. Viver o momento. Não seguir um guião.





 
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7 comentários:

  1. não faço resoluções apesar de ter a sensação de que deveria mudar algumas coisas, mas ou ganho vontade a sério ou não é por se avizinhar um ano novo que o faço. é engraçado como de um dia para o outro as pessoas pensam no que não fizeram e no que fizeram e no que querem fazer de novo e diferente

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  2. Eu cá aprendi o ano passado, finalmente, a fazer um arroz decente. Fico tão orgulhosa quando o faço ahah e não estava na lista de resoluções aprender a fazê-lo. No entanto não consigo deixar de fazer uma lista de 'afazeres' no ano que se avizinha!

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  3. Acho é normal termos objectivos, sejam eles cumprido ou não.... se calhar se vivermos o dia a dia chega.

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  4. É este ano que vais fazer arroz comestível, Ana! :D

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  5. Eu traço objetivos em qualquer altura do ano, no entanto, quando a mudança do ano se aproxima, gosto de pensar no que gostaria de mudar ou fazer. Mas não sinto aquela energia e picada de motivação de que tanta gente fala.
    MAS, acredita em ti e tenta, e vais ver que o arroz comestível vai chegar. Eu demorei 2 anos. Não desanimes! ;-p

    Blog

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  6. Nunca se sabe se no meio de tanta tentativa e erro não conseguirás fazer o tal arroz comestível :)

    Todos os anos costumo pedir desejos, este ano não pedi absolutamente nada. Vamos lá ver como corre.

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  7. Eu sou mais virada para pinhões mas não me importava nada de o fazer com M&M's fossem de que cor fossem.
    Mas adoro a tua filosofia e desejo-te muita sorte e trabalho para os teus sonhos, sejam fazer bom arroz ou não. :)
    Sorrisos,
    Alexandra

    The Sweetest Life

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