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Eu, quase de certeza, que sofro de algum tipo de stress pós-traumático. Não comecem já a dizer que estou a exagerar porque estou a falar a sério.

Desde que há uns anos atrás me vi - quase literalmente - no meio de um tornado que passou na minha cidade (e na minha rua) que nunca mais fui a mesma. Consigo lidar com chuva, com vento e com trovoada...separadamente. Cada um à sua altura e NUNCA ao mesmo tempo.
Se chove e faz vento ao mesmo, ou se chove, faz vento e trovoada, ou qualquer combinação desses três factores eu entro em pânico. O meu cérebro e o meu lado racional entram em colapso e eu relembro-me de tudo o que aconteceu há dois anos atrás: o sentir a pressão aumentar em casa, o barulho dos vidros a estilhaçar, o som cortante das pás a limparem os vidros, as pessoas em pânico, o som das sirenes das ambulâncias, o cenário pós-apocalíptico que parecia ter saído de um dos muitos livros distópicos. Faço outra vez as mesmas contas de cabeça sobre as variáveis que podiam ter sido diferentes nesse dia. Recuso-me a ir às janelas e o pior de tudo é que me recuso a sair de casa. Mas mesmo em casa fico inquieta, à espera - sempre à espera - de ver sinais de que vai acontecer de novo.

Eu dizia que sofria de stress pós-traumático na brincadeira, mas de há uns tempos para cá, sempre que vem este tempo, comecei a entender que se calhar não estava assim tão longe de estar certa.

E isto vem a propósito de quê? Pois, está a chover e a ventar lá fora.
Daqui a nada vem o Noé na sua arca buscar pessoal para uma boleia. E a Mary Poppins vai passar por cá no seu guarda-chuva a 100km/h.
Mas eu como sempre vou-me recusar a sair de casa.





 
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11 comentários:

  1. como eu te compreendo. felizmente agora já me consegui acalmar mais com isso, mas depois das sucessivas tempestades do ano passado foi um pouco difícil.. eu tenho uma situação parecida em que a caldeira do aquecimento cá de casa ia rebentando (2 vezes) então nos meses seguintes eu chegava a acordar de noite e a levantar-me para verificar como estavam as coisas porque parecia que estava sempre a ouvir barulhos...

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  2. Ri-me muito com o último parágrafo. Mas talvez não seja tão mau quanto um stress pós-traumático deve ser só o medo de voltar a passar pelo mesmo (e eu não sei até que ponto estas duas coisas não são o mesmo mas adiante) que pelo que descreveste deve ter sido mesmo aterrorizador :\

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  3. Por acaso até gosto de ver a trovoada, só não gosto do som, fico sempre toda arrepiada eheh
    Beijinhos*
    Treze Mundos

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  4. Eu não tenho qualquer problema com a chuva, vento, trovoada. Desde que não me atrapalhe (muito) na minha rotina diária.
    Mas que é chato ir para a escola a chover torrencialmente, lá isso é!

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  5. Acabamos o texto a rir como é óbvio, hehe, mas coitadinha.. eu não tenho medo nenhum destas coisas, até me costumo rir, mas claro que se estiver no meio da rua começo a ficar um bocado aflita. Compreendo-te, com um susto assim tão grande deve ser mais difícil manter a calma!

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  6. Duvido que se visses a Mry Poppins por aí não fosses a correr. Acho que não tens personalidade para não te encantares desse tamanho por uma personagem destas. :P
    Sorrisos,
    Alexandra :)

    http://thesweetest-life.blogspot.com

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  7. Eu adoro o tempo assim mas lá está, nunca passei por esse tormento. E lembro-me bem desse tornado; há um vídeo no youtube em que um palerma filma o dito cujo à janela, enquanto lancha uma sandes. Muita sorte teve ele, aquela merda impressionou-me! Trovoada, ainda assim, é um fenómeno mais seguro, salvo excepções, e que gosto muito.

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  8. se calhar tens mesmo... Bom fim-de-semana ;)

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  9. Tens todo o direito de te sentir assim... Acho que se tivesse passado por isso, também entrava em pânico :/

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  10. Como eu te compreendo ;)
    Beijinho*
    www.flordemaracuja.pt

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