OFF TOPIC | A Universidade e as Alternativas

12 agosto 2014

Vou começar esta publicação com um cliché que não deixa de ser uma verdade universal: nem tudo é para toda a gente. É uma treta - que é - mas é verdade: nem toda a gente pode ser médica ou advogada ou engenheira. Nem toda a gente é um génio da Matemática ou entende facilmente línguas e ligações Químicas.
Mais chato se torna quando precisamos de uma dessas coisas para atingirmos os nossos objectivos ou seguirmos um sonho e essa coisa torna-se uma enorme pedra no meio do caminho entre o ponto A e o ponto B.

Um caminho não é feito de um só sentido. São raras as vezes que conseguimos ir de A a B directamente e sem desvios pelo meio. Muitas vezes, antes de chegarmos a B, temos de passar por C e D primeiro. É importante saber quais são as opções, com o que podemos contar. Porque, apesar de não parecer, há maneiras de chegar a B - trabalhosas, que dão imensas dores de cabeça devido às logísticas da coisa - mas ainda assim existem alternativas. Que ninguém conhece ou que ninguém se dá ao trabalho de pesquisar e de procurar e de se informar.

Então imaginem que, por um motivo ou por outro, não terminam o Secundário (ou terminaram mas não conseguiram entrar na Universidade/curso que querem por décimas): ou porque deixaram uma (ou mais) disciplina(s) para trás, ou porque não tiveram nota suficiente no exame para obterem aprovação a essa(s) disciplina(s). Ou outra situação qualquer que vos impede seguir o caminho que querem e que tinham traçado - não interessa. Estão numa situação chata, pronto.
E perguntam-se: "Então e agora? O que é que eu faço à minha vida?". Eu estive nesse ponto. Fui às duas fases do exame de Matemática e não passei a nenhuma - temos pena, acontece, esforcei-me que nem uma moura mas, tal como disse no início, nem tudo é para toda a gente - e como me recuso a ficar a ver os navios a passar mais um ano comecei a procurar por opções apesar de toda a gente me dizer que o caminho tinha de ser em linha recta. Não tem. E existem mais alternativas do que aquelas que possivelmente sabiam da existência.

Se a secretaria da vossa escola for mais competente que a secretaria da minha são bem capazes de encontrarem todas estas informações por lá. Quanto a mim? Tive de fazer o trabalho de pesquisa sozinha. Tive de ligar para trinta sítios, enviar centenas de e-mails só para receber respostas a perguntas simples que podiam ter sido respondidas facilmente se as pessoas estivessem mais informadas. Se não se limitassem a caminhos padronizados e a tentar meter toda a gente no mesmo saco.

Então e quais são as alternativas? Tenham calma que eu ia falar disso agora.

1) Ano Zero no Ensino Superior

De há uns anos para cá, as Universidades (tanto as públicas como as privadas), têm apostado na política do ano zero.

E o que é isso?

Basicamente algumas Universidades dão-vos a hipótese de frequentarem algumas cadeiras de um curso superior (com limite de x ECTS, dependendo da Universidade) enquanto estão a tentar terminar as específicas/disciplinas que deixaram para trás.
Depois, se passarem às disciplinas do Secundário e às cadeiras da Universidade obtém os ECTS das cadeiras que fizeram no ano zero. E depois é só fazerem as restantes normalmente!

Também têm de pagar propinas (claro!) e normalmente o valor é definido por ECTS. Por exemplo: na uAlg uma pessoa no ano zero pode fazer no mínimo 10 ECTS e no máximo 25 ECTS. E paga vinte euros (€20) por ECTS.
No caso de fazer duas cadeiras a 6 ECTS cada, paga, por semestre, duzentos e quarenta euros (€240).

Atenção que nem todas as Universidades têm esta política. E também não pode ser aplicada em todos os cursos. O ideal é visitarem ou telefonarem a Universidade que vos interessa e perguntarem se praticam o ano zero ou o ano preparatório.

2) Ensino Recorrente Não Presencial

Isto é ideal para quem tem uma ou mais disciplinas de Secundário para fazer e que, por um motivo ou por outro, não se conseguem livrar dela(s).
Basicamente vão a uma escola secundária - podem ver a lista daquelas que têm esta opção AQUI - e inscrevem-se no ensino recorrente não presencial que consiste em não terem de ir obrigatoriamente às aulas e que podem fazer as disciplinas que vos faltam por módulos.
Para fazerem os módulos basta irem à escola, num dia a acordar com o professor/turma, e fazerem um teste/exame que contém a matéria daquele módulo.
No fim, quando terminarem, têm o décimo segundo concluído e só precisam de fazer as provas de ingresso que querem para se poderem candidatar ao Ensino Superior.

3) CETs

Este deve ser a modalidade mais conhecida por toda a gente porque existe também no Ensino Básico e no Ensino Secundário. Um CET é basicamente um curso de curta duração (varia entre um ano e dois anos) no qual, no fim, ficam com um certificado de habilitações de nível quatro ou nível cinco. Ou seja: podem trabalhar na área na qual fizeram o CET sem terem obrigatoriamente de frequentar o ensino superior (normalmente pedem uma licenciatura em x curso, com o CET é como se tivessem essa licenciatura). Os CET são também cursos mais práticos e quase todas as Universidades os oferecem. Basta verem o que querem e fazerem a vossa candidatura. Depois do CET podem também frequentar o Ensino Superior se assim quiserem.

Por isso, se este ano não conseguiram seguir o que querem, não desanimem. Há opções e outros caminhos que vos fazem chegar lá. Toca a vocês decidir se querem segui-los ou não. 
Espero que esta publicação ajude pelo menos um de vocês. Assim já terá valido a pena.





 
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9 comentários

  1. Não se aplica a mim mas como já te tinha dito acho importante que divulgues estas questões que muita a gente nem faz ideia que existem. Eu já as conhecia mas acredito que não seja "conhecimento-padrão" :p

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  2. também sou uma naba com matemática... números, esquece!
    eu só fiz o 12º ano e depois comecei logo a trabalhar, porque na altura a minha prioridade era ter o meu dinheiro (e ainda é). acho que é tudo uma questão mesmo de prioridades, motivação, espírito de sacrifício, determinação... esses factores condicionam o caminho a seguir, seja ele laboral, académico ou outro qualquer. acho óptimo abordares esses Planos B ^^

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  3. A mim também não se aplica que já tirei licenciatura e etc e já trabalho mas acho óptimo falares sobre estas alternativas que maior parte das pessoas não conhece. Eu pelo menos na minha altura não fazia ideia de algumas delas. :)
    De certeza que com este post vais esclarecer algumas pessoas que infelizmente não são bem informadas nas escolas sobre as opções que têm. :)

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  4. Ainda bem que publicaste estas alternativas! Tenho a certeza de que muita gente anda perdida nesta altura por se encontrar em situações semelhantes às tuas e não saberem o que fazer! Parabéns pelo trabalho de pesquisa e muita força para as decisões que se seguem!
    Beijinho*

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  5. Este é sem dúvida um excelente post e é por causa de posts como estes que eu adoro vir ao teu blog :D
    A única opção que não tinha conhecimento era os CETs de resto já conhecia essas opções

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  6. Não tinha conhecimento de quase nada, pus nos marcadores favoritos porque pode-me vir a dar bastante jeito! Post muito interessante!
    -xoxo-
    http://darkchoices.blogspot.pt/

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  7. Não se aplica a mim, mas aplica-se à minha melhor amiga. Achei fantástico teres abordado isto. Eu, por ex, tinha ouvido falar do Ano 0, mas não sabia bem o que era. Assim, fiquei esclarecida. Vou já partilhar isto com a minha amiga! Nestes momentos difíceis, sabermos as opções que temos é a melhor fonte de esperança num futuro melhor.
    Obrigada pela partilha :)

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  8. Olá Ana,

    Bem, digo desde já que acho fantástico que tenhas dedicado um post a este tema, tendo em conta que não são poucas as pessoas que passam a vida a dar o litro em detrimento de um sonho ou objetivo e, no final, todo o futuro fica decidido por um exame nacional. Exame esse que, por vezes, corrói tudo o que fora construído até então.

    Terminei o meu secundário no ano passado. Entrei para a faculdade... no entanto, não para aquela com a qual sonhava desde que me conheço. Dei o máximo que pude para entrar e, por uma décima, fiquei para trás.
    Sou determinada, mas maior do que a minha determinação é o sentido que dou aos meus sonhos, à forma como os encaro - principalmente este. A sensação de querer estar num certo lugar e saber que esse é exatamente o lugar talhado para ti é a semente para um caminho rumo ao sucesso.

    Neste momento, terminei um excelente primeiro ano de faculdade e, novamente, a realização dos exames nacionais que me permitirão agora entrar no curso com que sempre sonhei. A questão aqui é, pura e simplesmente, não parar. Quando corremos por gosto, colhemos forças que não imaginávamos que existissem sequer.

    Força!
    Catarina Reis
    ondeoceueazul.blogspot.com

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