AD INFINITUM | 3

NOTA: O TEMA ESCOLHIDO PARA ESTE AD INFINITUM É POLÉMICO MAS NÓS - EU E A CAROLINA - ACREDITAMOS NA PARTILHA DE OPINIÕES COM CABEÇA, TRONCO E MEMBROS E DECIDIMOS FALAR DESTE TEMA PARA ABRIR O DEBATE ENTRE AS CAMADAS MAIS JOVENS - QUE É O PÚBLICO-ALVO DOS NOSSOS BLOGS. PEÇO, POR FAVOR, QUE SE MANTENHA O CIVISMO E O RESPEITO TANTO POR MIM COMO PELA CAROLINA E COMO POR QUEM COMENTA.


Tentei começar esta publicação de infinitas formas diferentes de maneira a tentar abordar a temática de modo mais delicado. Não consegui e por isso decidi escrevê-la como se estivesse a partilhar a minha opinião sobre o tema com o meu grupo de amigas. Nunca pensei que escrever sobre este tópico fosse tão difícil.

Em 2007, o ano em que fizeram o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez (IVG), eu ainda não podia votar. Mas, se fosse agora, eu sabia exactamente como votaria apesar de, no geral, ter uma posição neutra sobre esse tópico. Sim, eu sei que ter uma posição neutra nesta situação não é o ideal porque normalmente as pessoas estão ou num lado ou noutro da moeda.

É difícil abordar este tema em Portugal. Não há volta a dar. Nós somos um país de gente muito conservadora. Tão conservadora que até me espanto que o referendo tenha sido aprovado (apesar de não ter obtido a maioria dos votos). Haverá sempre um estigma social em relação a quem decide recorrer à interrupção voluntária da gravidez seja porque motivo for e as pessoas que ousem a partilhar a sua opinião - seja ela qual for - correm o risco de serem queimadas mentalmente em estacas como se fazia na Idade Média.
Mas, não me venham com tretas, e dizer que os debates sobre esta temática não são incrivelmente tendenciosos. Sempre que alguém toca no assunto é bombardeado com frases feitas e de guerrilha que pode fazer com que os mais fracos de opinião se sintam mal a partilharem o que acham realmente.

Eu própria, enquanto estive a pesquisar mais sobre esta temática para conseguir escrever este texto, me senti de certa forma violada dos meus direitos porque todos os documentos e artigos que li, todas as apresentações de PowerPoint que vi e todos os fóruns que consultei preferiam abordar esta temática através de métodos de choque e medo do que através de debates ponderados e esclarecedores.
Foram mais as imagens ensanguentadas que vi para ilustrar estas práticas - afinal é, de todos os modos uma operação e digam-me: que operação não tem sangue? - do que aquelas que vos queria contar. E eu, que até tenho estômago para estas coisas e uma cabeça no sítio para pensar por mim, me senti enjoada e comecei a pensar que se calhar, os meus argumentos e a minha opinião (que são só meus) sobre esta temática estavam completamente errados.
Não deixem que isso vos aconteça. Nem se deixem ser intimidados por isso. Fazer as pessoas acreditarem numa certa coisa por base de violência visual não é bem a minha chávena de chá.

Se eu me encontrasse numa situação de gravidez indesejada, digo-vos, sinceramente, que não saberia se conseguiria recorrer à IVG ou não, até porque não quero estar aqui a falar da boca para fora e dizer que sim ou que não porque acredito que não seja nada fácil tomar a decisão. Tanto que, por ser tão difícil, existem períodos de "contigência" (por falta de palavra melhor) para a mulher ter a certeza que quer, de facto, seguir em frente. Podem ver o artigo e as especificações sobre isso AQUI.

No entanto é bom termos a opção e não sermos consideradas criminosas por isso. É bom sentir que temos controlo do nosso corpo e decidir o que achamos que é melhor para nós.
Com isto não quero dizer que se comecem a fazer abortos como método contraceptivo porque os malefícios desta prática são bem mais do que os benefícios e a decisão deve ser tomada em plena consciência.

Existem muitos argumentos e muitos deles têm como base alguns valores que nos foram sendo incutidos e que fazem diferença na formação da nossa opinião, sejam eles valores éticos, religiosos, políticos ou sociais. Esta é a minha, apesar de não a ter conseguido explorar totalmente como queria, e podem ficar a conhecer a da Carolina AQUI.





 
Podem encontrar-me também aqui:

12 comentários:

  1. É um tema muito complicado, mas já tive oportunidade de debatê-lo com outras pessoas. Também tenho uma opinião um pouco neutra, sou a favor nos casos de violações e gravidezes indesejadas. Acho que não deve ser considerado um método contraceptivo e que só deve se recorrer a esse método em casos como os que referi anteriormente.
    No meu caso, acho que nunca teria coragem de o fazer, porque acho que iria ser atacada pelos remorsos, consciente ou inconscientemente, nunca iria ser a mesma pessoa outra vez, porque é uma vida que se está a gerar dentro de mim e é o meu bebé, que pode não ser fruto de uma ocorrência bastante grave, como já disse, de violação ou mesmo uma deformação muito grave no feto, ai recorreria ao aborto.

    ResponderEliminar
  2. No que toca a este tema tenho sempre dificuldade em argumentar, mas muito sinceramente sou a favor do aborto, não sei se algum dia o seria capaz de fazer, mas acho que bem que cada mulher possa ter a opção de o fazer!

    ResponderEliminar
  3. Este é, sem dúvida, um excelente tema, que infelizmente ainda gera muita discórdia - e sempre irá gerar.
    Eu sou totalmente a favor do aborto. Como foi referido, não deve nunca ser visto como um método contraceptivo até porque as consequências do mesmo são bastantes.
    Existem mil e uma razões para uma mulher o decidir fazer e ninguém deve julgar ninguém no que diz respeito a este assunto, mas infelizmente ainda muitos o fazem. Na minha opinião, a mulher deve ter sim oportunidade de escolher, até porque, e sendo apenas um mero exemplo, muitas vezes as coisas aconteciam e o homem fugia com o rabinho entre as pernas e a mulher não podia decidir se queria ou não - ou se podia ou não - ter uma criança.
    E já que abortos eram muitas vezes feitos clandestinamente, pelo menos veio assegurar-se mais segurança!

    ResponderEliminar
  4. Acredito que cada mulher deve ter a sua opinião em relação a este assunto. Não percebo porque as pessoas sentem necessidade de falar ou debater este assunto. Quem sou eu, para decidir se a minha vizinha deve abortar ou não? Ninguém. É uma decisão que a mais ninguém cabe, a não ser que seja pedida. Se sou a favor de todas as interrupções? Não. Quem tem a cabeça fora do lugar e a quem isto acontece mais que uma vez, não vejo forma de ''desculpar'' tais atos.
    Acho que este assunto precisa de ser destigmatizado, não percebo, já se pode mostrar mamilos e rabiosques, mas ainda não se pode abortar quando se precisa sem se ser morto mentalmente? Acho que a nossa sociedade precisa de redefinir as suas prioridades e sobretudo, no que se deve envolver ou não.
    Esses movimentos estilo ''Pró-vida'', não têm noção do que se passa na vida das pessoas, só querem saber que as crianças nasçam, mas se os pais ou a família tem codições isso já praticamente não importa. E poderia continuar muito mais, mas o que quero dizer é: ninguém é ninguém para se meter na vida das outras pessoas sobre um assunto tão sensível. Que tem uma senhora da China a dizer sobre um aborto que eu possa vir a fazer? Nada. O que as mulheres precisam é de apoio, tomem a decisão que tomar. Nada mais.

    ResponderEliminar
  5. Este é um tema vastíssimo e que pode ser abordado de imensas formas, mas a verdade é que o aborto, quando feito, só deve dizer respeito à mulher que tomar essa decisão. Se podemos expecular e dar a nossa opinião e tudo mais? Claro que podemos, mas nós - nisto e em tantas outras situações - não sabemos da vida dos outros aquilo que eles sabem. É claro que pessoas sem dois dedos de testa que se servem disto como método contracetivo, têm sempre ( e talvez isto seja um defeito meu) uma nota mental na minha cabeça de desaprovação. Mas quando se tratam de decisões pensadas, calculadas e conscientes, é algo que toda a mulher deve ter o direito de escolher fazer ou não. Em situações de violação ou de anomalias gravíssimas no feto, quem pode culpar uma mulher por abortar? Eu própria não sei até que ponto não o faria. É um assunto muito controverso e dou-vos os parabéns por terem arriscado ao trazerem-no para a rubrica! Eu sou a favor do poder de escolha da mulher nestas situações, apesar das mil e uma razões que há para não o fazer. Mas cada um deve ter a sua opinião sem se sentir "violado mentalmente" pela mesma.

    ResponderEliminar
  6. Aqui em Portugal o aborto é permitido mas fica no cadastro o que não faz sentido nenhum. É do tipo "podes fazer mas és uma criminosa na mesma" entre ter um filho que não querem e que vão tratar mal mais vale não terem e abortar.

    ResponderEliminar
  7. nunca é uma decisão fácil e é uma cicatriz que fica com a mulher para sempre mas fico feliz por termos essa opção! hoje já não sei se faria (há uns anos tinha a certeza que sim, caso se acontecesse), pois o meu relógio biológico começou a tocar. podia não ser planeado mas já não seria indesejado! tenho um pouco de raiva a pessoas que julgam quem toma esta decisão ou até aqueles que dizem que é preferível ter e dar para a adopção... é com cada argumento sem cabimento nenhum.

    ResponderEliminar
  8. estás como eu então! LOL também tenho perto de 600... ainda por cima nos torrents consegues sacar livros à patos, ainda melhor!

    Dá uma vista de olhos pelos livros que fui lendo a ver se algo te interessa e se não os conseguires arranjar, eu mando-te link ;)

    ResponderEliminar
  9. Quando era mais novinha só era a favor do aborto se fosse em casos de violação, deficiência grave do bebé ou no caso de estar em risco a vida da mulher. Hoje em dia, já tenho outro ponto de vista para ser sincera. Porque se pensarmos bem de que adianta mandar um bebé ao mundo se ele não for desejado cá? É condenar um ser sem culpa a sentir-se não desejado desde que veio ao mundo.

    ResponderEliminar
  10. É um tema mesmo bastante complicado. Adorei o blog e vou seguir ;)

    ResponderEliminar
  11. Eu acho que cada mulher sabe de si e do seu corpo e ninguém tem de controlar as escolhas da mesma. O corpo e a decisão não cabe a outra pessoa que não a mulher que está perante tal circunstâncias. E quem somos nós para julgar? É claro que também acho imbecil muitas de nós sermos mais irresponsáveis que outras mas não é a mim que me cabe condenar. Cada um sabe de si. Eu digo-te, se por algum acidente, engravidasse hoje, faria sim um aborto, consciente das consequências que me esperariam. Uma coisa é certa: se fossem os homens a engravidar, já ninguém achava o aborto um crime abominável... Porque toda a gente acha estranho uma mulher não desejar ser mãe (como é o meu caso) mas ninguém pergunta a um homem "então não tem filhos porquê? escolheu a carreira?"... Bah.

    ResponderEliminar
  12. É bastante complexo. Eu estou como tu, se me encontrasse perante uma gravidez indesejada, não saberia o que fazer... No entanto, acho que deve haver a opção de poder abortar porque há casos como violações que podem resultar em gravidezes indesejadas e inocentes...
    Beijinho*

    ResponderEliminar

Design, coding and theme by Ana Garcês.
Copyright © 2011-2017