MOVIES | Mr. Nobody

02 fevereiro 2013

Quinta-feira foi dia de filme cá por casa e o escolhido desta vez foi o Mr. Nobody. Não é um filme propriamente recente (é de 2009) mas desde que li a sua sinopse e vi o seu trailer fiquei curiosa para o ver. Demorei uns anos mas finalmente posso riscá-lo da minha watchlist.


Sinopse: 2092. Nemo Nobody é um homem de 118 anos, o último da sua espécie mortal. Nascido em 1975, e acreditando que tem apenas 34 anos de idade, vai relatando o passado, deambulando sobre os momentos cruciais da sua vida, onde escolhas difíceis mudaram o rumo da sua existência.

À medida que considera os vários caminhos que poderia ter tomado, a sua memória começa a falhar, tornando-se cada vez mais difícil distinguir o que de facto aconteceu e o que é apenas fruto da sua imaginação.

Porém, o que hoje de facto o preocupa é simples: se viveu uma vida correcta, se amou as mulheres que deveria amar ou se teve os filhos que sempre desejou. Para o velho Nemo, a razão da sua existência está em encontrar respostas para estas questões antes que a morte chegue.
{via}


Review: O Mr. Nobody é um filme complexo e é fácil fazer um filme complexo. Basta juntarem-se alguns elementos pouco claros a um argumento confuso que as pessoas deixam de entender e ficam com aquela ideia que o filme é bom porque é complexo. Mas, este filme, apesar de ser complexo, não é nada assim. Este filme faz sentido e não é meia dúzia de elementos estranhos que não se ligam entre eles. O realizador Jaco Von Dormael superou-se neste Mr. Nobody: criou um filme complexo, complicado, completo e genial.

Durante o filme vamos ver várias cenas intercaladas daquilo que foi a vida de Nemo, percorrendo um enorme número de possibilidades de cada decisão que este teve de tomar. Somos confrontados com três realidades: a real, a que ele sonha e uma com situações hipotéticas. Somos também transportados para três fases essenciais da vida de Nemo: infância (Nemo com 9 anos), adolescência (Nemo com 15 anos) e a vida adulta (Nemo com 34 anos). 
O desafio ao ver este filme é não perdermos o fio à meada, mas no fim tudo faz sentido.

Não devemos desistir do filme à primeira só porque se está a tornar confuso. Pouco a pouco, conseguimos ligar alguns pontos, especialmente se repararmos em certos detalhes, que não são muito destacados (de propósito) mas estão sempre lá. O filme é narrado em toda a sua totalidade por Nemo e o diálogo entre as várias personagens é reduzido por causa desse facto.

O Nemo é uma personagem muito completa e extremamente bem construída. Cada uma das realidades apresentadas mostra-nos um Nemo ligeiramente diferente, com traços próprios e uma forma de ser diferente.

O filme está carregadinho de simbolismos sendo o mais evidente a utilização de determinadas cores (e filtros de cores) para ilustrar as diferentes realidades.
Qualquer uma das três histórias dentro do filme têm a sua cor específica e mostra as suas diferenças entre cada uma. A primeira cena onde somos confrontados com essa realidade é quando vemos três raparigas (aqui a representar as três futuras mulheres de Nemo) sentadas num banco de jardim: uma está vestida de amarelo, outra de azul e a última de vermelho. Na sua vida com Elise o Nemo experimenta as consequências de depressão e desespero que são associadas à cor azul.
Quando escolhe a Jeanne, o Nemo procura bem-estar material e independência que são ligados à cor amarela.

A relação de amor verdadeiro e de paixão entre Nemo e Anna é simbolizada pelo vermelho, que é a cor do vestido de Anna. É também de notar que o Nemo antes de nascer é mostrado a viver num espaço completamente branco. O branco contém todas as cores do espectro visível e isto remete-nos à mensagem do filme: tudo é possível até que seja feita uma escolha. No fim da sua vida, o Nemo é retratado como um velho esquecido e decrépito que vive num ambiente branco (o seu quarto, as enfermeiras e o médico). Isto serve para mostrar que o destino do protagonista o manda de volta às origens, onde tudo começou. No ponto onde tudo é possível.


O Mr. Nobody não é uma produção grandiosa nem foi realizado por alguém de renome que recebe infinitos elogios mesmo que o resultado final não convença. Neste filme também não encontramos actores consagrados e, nem é um filme que tenha acumulado muitos prémios. Na verdade, este filme tem um carácter mais independente e até hoje passa despercebido em todos os cantos do Mundo.

Não é um filme que agrade as massas, mas aconselho vivamente que o vejam. É uma história sobre possibilidades e sobre como as nossas vidas podem ser diferentes caso uma escolha seja diferente. Faz-nos pensar mesmo depois de ter acabado.

Classificação infinito mais um: 8,5/10
Classificação IMDB: 7,8/10

Até jazz,

7 comentários

  1. Ainda não vi,mas tenho imensa curiosidade em ver!

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  2. Já vi e também gostei muito!
    Beijinho

    Sorteio em:
    ecoutemoiregardemoi.blogspot.pt

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  3. Não vi o filme, mas pelo que vc disse parece ser muito bom, a sinopse me chamou atenção. Ótima dica de filme!

    Abraços,

    http://refugionofimdouniverso.blogspot.com.br/

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  4. Oi linda!

    Confesso que esse tipo me encanta, por que é uma história diferente. Uma história que nos faz pensar como tudo funciona.
    Assim como você disse... Nos faz pensar em como nossas vidas podem ser diferentes caso uma escolha ou até mesmo UMA atitude seja diferente.

    Adorei teu blog, linda. E obviamente estou te seguindo. Se puder nos retribuir, ficarei muito grata.
    Sempre que atualizar teu blog, nos avise, tá?

    Beijos, Michaele
    http://www.melhortobonita.blogspot.com.br/

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  5. Eu por acaso já ando há uns tempos (largos) para ver este filme. Pode ser que o venha a ver num futuro próximo.

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  6. Aconselho-te a ver mais alguns filmes com o Jared Leto, são muito bons, Requiem For A Dream, Switchback, Lonely Hearts, estes três são muito bons (ok, eu sou suspeita)


    thisisthelifesomewhere.blogspot.pt

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