PERSONAL | For M., forever ago

02 setembro 2012

Não me lembro exactamente como é que eu te disse 'olá'. Em retrospectiva penso que foste tu que o fizeste primeiro. Sempre foste bom nessas coisas. Não me lembro também de todos os detalhes da nossa primeira conversa, mas, o que eu me lembro perfeitamente foi da facilidade que tive em falar contigo, do quão simples se tornou - algo que nunca tinha acontecido e sabes que digo a verdade pois mais tarde vieste a aprender que não me sinto confortável naquilo a que chamam socializar.

Na minha mente dei vários passos para trás, e tu, como que a adivinhar a minha quase planeada retirada, deste todos os passos para a frente. A verdade é que mesmo sem saber foste crescendo dentro de mim, depositando as tuas raízes e espalhando o teu encanto. Foi fácil gostar de ti.

Passamos por muito nestes (quase) 12 meses. A fase da côrte, de passarmos todos os instantes a conversar. Tu a conduzires 4 horas só para passares mais algumas comigo e depois a voltar no mesmo dia de onde vieste e teres poucas horas de sono antes de teres de ir para a faculdade. E, a insegurança de saber se conseguiríamos aguentar muito tempo assim. E olha para nós agora, onde chegamos, onde estamos e onde iremos chegar.

Agora só quero que venhas e me leves. Com alguma pressa. Chegou a hora de pegares no carro e encurtares a distância entre nós. A verdade é que sinto a tua falta, preciso de ti. Habituei-me a ver esses olhos cor de mar a abrirem timidamente quando o sol forçava o seu caminho pela tua janela. Habituei-me aos teus dedos a passearem no meu cabelo e na minha face - delicados, e meio a medo como se tivesses medo que me fosse partir. Habituei-me a ti, à tua voz arrastada de manhã, ao cheiro do teu cigarro matinal a ficar entranhado nos teus lençóis. Acostumei-me tanto a ti que me está a ser extremamente difícil ficar longe de ti e receio que em breve perderei a capacidade de me manter lúcida.

Estou preparada para ti, estou preparada para nós. Para o nosso canto dentro do teu canto. Nunca te confessei isto, mas a verdade é que já o estava há imenso tempo. Quero puder chegar todos os dias a casa e ver o teu sorriso aberto e os teus braços abertos para me receber naquele abraço que eu sei que é casa.

Ainda hoje passo pelo sítio onde nos encontramos pela primeira vez, e sento-me nas escadas já gastas pelo tempo e imagino-te ali ao meu lado. Fecho os olhos e revejo tudo de novo: sinto o teu toque na minha pele e todas as palavras que nesse dia me segredaste ao ouvido.

Lembro-me do nosso primeiro beijo, e do sorriso enorme com que ficaste a olhar para mim. Lembro-me da sensação que me deu e posso-te dizer que não mudou nem um bocadinho. A electricidade ainda continua lá. O calor que queima também. O arrepio na espinha. As borboletas no estômago. As palavras trôpegas. Do momento em que ao tocares os meus lábios com os teus, tudo pára e tudo desaparece e somos só nós por um instante. A sensação de estar perdidamente apaixonada não mudou.

Não tenho ilusões que poderás ler isto, mas por favor vem depressa.

Amo-te.

Com amor,



4 comentários

  1. Olá Ana :)
    Tens aqui um cantinho encantador! Continua a cuidar dele o melhor que sabes!
    Nunca desistas dos teus objectivos.
    Beijinhos,
    Wanna :)

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  2. o rapaz tem de ler isto, se eu me derreti toda imagino ele!

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